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Artigo sobre Crítica Textual

Pr. José Nogueira


O NOVO TESTAMENTO FOI ESCRITO ORIGINALMENTE EM HEBRAICO?

 

Tenho sempre explicado aos meus alunos que o SENHOR Deus usou basicamente duas línguas para revelar Sua Palavra aos homens: o Hebraico (Antigo Testamento) e o Grego (Novo Testamento).

Esse assunto envolve muitas e importantes ciências ligadas ao estudo das Escrituras Sagradas: História, Arqueologia, Criticismo Bíblico, Linguística, Teologia, etc. E há grandes especialistas religiosos e seculares que fizeram (e fazem) grandes contribuições. Aqui convém dizer que esse ramo do conhecimento ou das pesquisas não pertence a nenhum grupo específico – há estudiosos acadêmicos estudando esses assuntos há séculos e que muitos são independentes de religiões ou grupos denominacionais.

 

De forma geral, no texto abaixo, estou usando as pesquisas e conclusões do Dr. Eli Lizorkin-Eyzenberg, que é um erudito judeu, diretor do Israel Study Center, palestrante internacional e uma das maiores autoridades mundiais na área de História e Crítica Textual das Escrituras.

 

Sobre em que língua foi escrito o Novo Testamento, é muito importante (e crucial) esse conhecimento, visto que muitas vezes vamos nos deparar com questões de interpretação e até dificuldades na tradução. Por isso, centenas de milhares de cristãos têm feito esta pergunta, de uma forma ou de outra. A razão para  esta curiosidade é louvável. É o desejo de chegar o mais próximo possível a Deus ficando o mais próximo possível de Sua Palavra escrita.

 

O profundo interesse dos cristãos modernos nas bases judaicas do Novo Testamento não é novo. Cristãos sérios ao longo dos tempos têm reconhecido a importância de se estudar o cenário histórico do Novo Testamento, tanto judeus-messiânicos, como judeus religiosos ou apenas acadêmicos, e os não-judeus cristãos ou seculares.

 

O atual interesse no Jesus Judeu vem crescendo em intensidade ao longo do tempo. As redes sociais e as postagens ligadas ao Judaísmo de Jesus estão zumbindo aumentando em volume. Tem aumentdo o número de cristãos em todo o mundo que estão tentando aprender Hebraico com materiais de auto-estudo e estão se matriculando em aulas formais no campus e on-line.

 

Então, por que tanto interesse no Contexto Histórico do Novo Testamento?

 

Há muitas razões, mas vou apenas mencionar algumas. Minha intenção é mostrar-lhe que o que acontece no mundo influencia muito (se não determina) a forma como os cristãos pensam sobre a Bíblia Sagrada.

 

Em primeiro lugar, o Holocausto Judaico levou os cristãos a pensar e fazer muitas perguntas difíceis sobre a fidelidade de Deus ao seu Antigo povo de Israel, e sobre o papel da Igreja na tomada de uma posição na arena política. Além disso, o Holocausto fez a Igreja considerar elementos (e o que precisa ser feito sobre eles) em sua teologia que pode ter contribuído para o Holocausto Judeu na Europa.

 

Em segundo lugar, a criação do Estado de Israel tem forçado os cristãos bíblicos a reconsiderar as antigas promessas de Deus a respeito de uma restauração física da Terra para o povo de Israel. Isso tem gerado muitas outras questões importantes que dizem respeito a esta questão.

 

Em terceiro lugar, as descobertas arqueológicas e a eventual divulgação dos Manuscritos do Mar Morto têm causado uma revolução nas instituições acadêmicas (tanto seminários como universidades) em relação às questões das origens cristãs e, especialmente, sua relação com seu antigo ambiente Judaico.

 

Em quarto lugar, uma variedade de grupos cristãos liberais e conservadores começaram a pensar sobre o que tudo isso significa e o que devem fazer para sair do reino do pensamento e ir para o reino do fazer.

 

Apesar de tudo isso ser interessante, eu acho que é melhor voltar à nossa questão principal:

O Novo Testamento foi escrito em Hebraico?

 

Em minha opinião todo o texto original do documento que conhecemos como  Novo Testamento foi escrito por discípulos judeus de Cristo  (no antigo sentido da palavra) em uma linguagem que pode ser melhor descrita não apenas como Koiné ou Grego Comum, mas como “Koiné Judaico-Grego”.

Alguns autores que podiam pagar um bom escriba profissional (como foi o caso de Paulo e, possivelmente, Lucas também) tiveram um excelente domínio da língua, enquanto outros, como os autores do Evangelho de João e do livro do Apocalipse, naturalmente, escreveram em um nível muito mais simples. Assim, uma pessoa pode escrever em Inglês em um estilo elegante ou expressar seus pensamentos no mesmo idioma, mas de uma forma muito mais simples.

 

Mas antes de tudo o que é Grego Koiné?

 

O Grego Koiné (que é diferente do Grego Clássico) foi a forma multi-regional comum do Grego falado e escrito durante a antiguidade Helenística e Romana. Um Grego comum, falado coloquialmente, usado no dia-a-dia. A coleção do Novo Testamento foi escrita durante este período histórico.

Importante: É certo que na região de Israel, esse Grego Comum (Koiné) sofreu muitas influências da cultura, dos costumes e das línguas faladas na região (Hebraico e Aramaico). Por isso, o tipo de Grego que vemos no Novo Testamento não pode ser descrito APENAS como Grego Koiné. Há um outro componente para este Grego Koiné – uma significativa conexão Judaica e Hebraica. Por esta razão, poderíamos como muita segurança chamá-lo de Grego Koiné-Judaico.

 

O que é o Grego Koiné-Judaico?

 

O Grego Koiné-Judaico, como as conhecidas línguas Judaica-Germânica (iídiche), Judaica-Espanhola (Latim) e as menos comuns Judaica-Persa, Judaica-Árabe, Judaica-Italiana e a Judaica-Georgiana, é simplesmente uma forma de Grego usado pelos Judeus para se comunicar. Esta linguagem manteve muitas palavras, frases, estruturas gramaticais e padrões de pensamento característicos da língua Hebraica.

 

Então o Grego Koiné-Judaico é realmente Grego?

Sim, é, mas é um Grego que herdou os padrões Semíticos de pensamento e de expressão. Desta forma, é diferente dos tipos de Grego utilizados por outros grupos de pessoas.

 

Então, eu discordo que o Novo Testamento foi escrito primeiro em Hebraico e depois traduzido para o Grego. Nunca foi achado, em todas as pesquisas arqueológicas, em todas as buscas e averiguações em bibliotecas antigas e milenares, qualquer cópia de documento do Novo Testamento em Hebraico ou Aramaico. Todas as cópias de textos do Novo Testamento que foram achadas nessas línguas eram claramente traduções do Grego para essas línguas.

 

Portanto, o Novo Testamento foi escrito em Grego por pessoas que pensavam Judaicamente e o que, talvez, fossem poliglotas.

As pessoas que falam diversas línguas conseguem também pensar em vários  idiomas. Quando falam, no entanto, elas sempre importam para uma linguagem algo que vem da outra. Nunca é uma questão de “se”, mas apenas de “quanto”.

 

O principal argumento apresentado pelos cristãos que acreditam que partes do Novo Testamento foram escritas originalmente em Hebraico, é que o Novo Testamento está cheio de Hebraísmos. (Hebraísmo é uma característica do Hebraico ocorrendo em outro idioma).

 

Na verdade, este é um ponto muito importante. Isso mostra que estudantes sérios do Novo Testamento não devem limitar-se ao estudo do Grego. Eles também devem estudar Hebraico. Com o conhecimento do Hebraico Bíblico eles seriam capazes de ler melhor o texto Grego Koiné-Judaico do Novo Testamento, e com muito mais precisão de análise.

 

IMPORTANTÍSSIMO: Não é preciso imaginar uma base textual Hebraica do Novo Testamento para explicar a presença dos Hebraísmos no texto. Embora possível, simplesmente falta a essa teoria um suporte adicional e desesperadamente necessário.

 

Pense comigo um pouco mais sobre isso. Além da competência multilingue dos autores do Novo Testamento sua fonte mais confiável (e com razão) para as citações da Bíblia Hebraica foi a Septuaginta (LXX).

 

É preciso lembrar que a versão Grega da Bíblia Hebraica foi traduzida para o Grego pelos principais estudiosos Judeus da época. Diz a tradição que 70  sábios judeus fizeram traduções separadas da Bíblia Hebraica e quando elas foram feitas, todas combinaram perfeitamente. Mas, isso é uma “lenda”. O número 70  provavelmente simboliza as 70 nações do mundo no Judaísmo antigo. Esta tradução não se destinava só para os Judeus de língua Grega, mas também para os não-Judeus para que eles também pudessem ter acesso à Bíblia Hebraica. Você pode imaginar quantas palavras Hebraicas, frases e padrões de pensamentos estão presentes em todas as páginas da Septuaginta.

 

Então, além dos autores do Novo Testamento pensando Judaicamente e Hebraicamente, temos também a principal fonte de suas citações do Antigo Testamento que vêm de outro documento de autoria Judaica - a Septuaginta. Assim, é surpreendente que Novo Testamento esteja cheio de formas Hebraicas expressas em Grego?!

 

Como uma nota complementar, o uso da Septuaginta por escritores do Novo Testamento é realmente um conceito muito estimulante.

 

O texto Judaico da Bíblia Hebraica usado hoje é o Texto Massorético. Quando os Manuscritos do Mar Morto foram finalmente examinados, descobriu-se que não havia uma, mas três famílias diferentes de tradições Bíblicas no tempo de Jesus. Uma deles estreitamente alinhada com o Texto Massorético, uma estreitamente alinhada com a Septuaginta e uma parece ter ligações com a Torah Samaritana.

 

Entre outras coisas, isso, mostra claramente que a Septuaginta citada pelo Novo Testamento tem um grande valor, uma vez que foi baseada em um texto Hebraico que era pelo menos tão antigo quanto o texto Hebraico básico do que um dia viria a se tornar –  o Texto Massorético.

 

Portanto, a completa evidência histórica é de que o Novo Testamento foi escrito em Grego Koiné--Judaico-Grego.

 

Vamos abordar um ponto muito importante. Em vários lugares nos escritos dos pais da igreja primitiva, há a menção de um evangelho em Hebraico.

 

A referência mais importante e mais antiga é a do escritor cristão primitivo, Papias de Hierápolis (125 d.C.-150 d.C.). Ele escreveu: “Mateus reuniu os oráculos em língua Hebraica e interpretou cada um deles o melhor que podia.” Então… temos um testemunho cristão muito antigo sobre o documento de Mateus em Hebraico.

 

Esta foi uma referência ao Evangelho de Mateus em seu original Hebraico?

Talvez.

O mais provável é que se trata de uma referência a um documento que Mateus compilou, mas que é diferente do Evangelho de Mateus. Isto é o mais provável. Mateus pegou fontes em Hebraico para escrever seu Evangelho em Grego.

 

Toda essa discussão é complicada pelo fato de que todos os Evangelhos são anônimos e não contêm referências inequívocas a um autor em particular (embora alguns certificados muito cedo). O Evangelho de Mateus não é exceção. Nós não sabemos com toda a certeza se Mateus (o discípulo de Jesus mencionado nos Evangelhos) foi de fato o autor do Evangelho que chamamos de “O Evangelho segundo Mateus”.

 

Além disso, a fraseologia, “ele interpretou cada um deles o melhor que podia”, utilizada por Papias de Hierapolis é muito menos do que inspiradora. Não se pode sair com a sensação de que o majestoso Evangelho de Mateus, que apresenta  textos-chave tais como o Sermão da Montanha e a Grande Comissão estivesse, de fato, sendo considerado. É possível que Papias estivesse se referindo a algo menos grandioso. Ou seja, que ele tinha ouvido falar que Mateus tinha coletado frases de Jesus em Hebraico, unindo-as o melhor que pôde. Não há nenhuma razão para negar que tal documento tenha existido, mas também não é uma razão muito forte para identificá-lo com o Evangelho de Mateus.

 

Descobertas arqueológicas têm demonstrado que o Hebraico, o Aramaico, o Grego e até mesmo o Latim eram usados pelo povo da Terra Santa durante o primeiro século da Era Comum. Mas o próprio Novo Testamento, o melhor que posso dizer, foi de fato escrito por Judeus seguidores de Cristo em Grego Koiné-Judaico. Esta é a possibilidade mais simples e mais exata de acordo com os fatos. Esta visão prontamente explica a quantidade de padrões de pensamento Hebraicos subjacentes, raciocínio, gramática e vocabulário que fazem do Novo Testamento uma coleção completamente Judaica.

 

Reconstruir a história é um pouco como montar um quebra-cabeça onde faltam muitas peças. Quanto mais peças do quebra-cabeça você tem, melhor se pode ver os contornos da imagem! Quanto mais você souber sobre o contexto histórico do Novo Testamento e quanto mais você estiver familiarizado com as linguagens intrinsecamente relacionadas com ele (especialmente Hebraico e Grego), melhor será sua capacidade de interpretá-lo de forma precisa para si e para os outros.

 


Pr. José Nogueira


02/02/2018

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